O Método - a natureza da natureza (Edgar Morin)

Lendo essa obra, estou cada vez mais fascinado com a teoria da complexidade e a maneira como Morin a tece.

Sua intenção de não buscar por um conhecimento geral nem por uma teoria unitária, entendendo que tal teoria (a unitária), entretanto, escamoteia simploriamente as dificuldades do conhecimento, mostra que Morin, dessa forma, evita a disjunção entre os saberes separados. Assim, Morin (1977, p.18) destaca que essa teoria unitária:
(...) para evitar a disjunção entre os saberes separados, obedece a uma sobressimplificação redutora, amarrando o universo inteiro a uma única fórmula lógica. De fato, a pobreza de todas as tentativas unitárias, de todas as respostas globais, confirma a ciência disciplinar na resignação do luto. Assim, a escolha não se situa entre o saber particular, preciso, limitado, e a ideia geral abstracta. Situa-se entre o luto e a investigação dum método capaz de articular aquilo que está separado e de unir aquilo que está dissociado. (MORIN, 1977, p.18)
Outra ideia que corrobora com essa articulação - daquilo que está separado com aquilo que está dissociado - é a circularidade, pois essa recusa a redução de algo complexo de forma multiladora. Dessa forma, Morin entende a não dominância de um ou mais conceitos frente a outros existentes, por exemplo onde a matéria, o espírito, a energia, a informação, a luta de classes, dentre outros e que são vistos de forma equipotente.


Dessa forma, Morin recusa o discurso linear como ponto de partida e fim, pois percebe que com a recusa de uma simplificação abstrata das coisas. Pois entende que é fundamental respeitar as condições objetivas do conhecimento humano, que comporta sempre, algures, paradoxo lógico, ou seja, a incerteza. Assim, Morin concebe a incerteza como uma provisão para o seguinte caminho da dúvida:
(...) a dúvida sobre a dúvida dá à dúvida uma dimensão nova, a dimensão da reflexividade; a dúvida pela qual o sujeito se interroga sobre as condições de emergência e de existência do seu próprio pensamento constitui, desde então, um pensamento potencialmente relativista, relacionista e autocognoscente. Enfim, a aceitação da confusão pode tornar-se um modo de resistir à simplificação mutiladora. E certo que nos falta o método à partida; mas, pelo menos, podemos dispor do antimétodo, onde a ignorância, a incerteza e a confusão se tornam virtudes. (MORIN, 1977, p.19)
Daí a importância de se conservar tal circularidade, já que essa alimenta a associação de duas ou mais proposições, reconhecidas como verdadeiras, e que mesmo sendo essas isoladas, abrem, todavia, a possibilidade de conceber estas duas verdades como as duas faces duma verdade complexa.

Com essa verdade podemos melhor entender os conceitos cunhados por Morin por operadores de complexidade, que são três:

Operador dialógico
O operador dialógico e não dialético, como Morin chama a atenção, pois se trata da não existência de uma síntese. Consiste assim por um envolver, entrelaçar coisas que aparentemente estão separadas como a razão e a emoção, o sensível e o inteligível, o real e o imaginário, a razão e os mitos, a ciência e a arte.

O operador recursivo
Que trata principalmente do fato de que, ao contrário da concepção de que uma causa A produz um efeito B, uma causa produz um efeito, que por sua vez produz uma causa e assim por diante. O que remeta ao conceito de circularidade, onde se abre a possibilidade dum conhecimento que reflita sobre si mesmo como nos indica o cogito cartesiano, que entende que o sujeito surge no e pelo movimento reflexivo do pensamento sobre o pensamento.

O operador hologramático
Que aborda situações em que não há porque separar a parte do todo, pois a parte está no todo, assim como o todo está na parte. Onde se cultiva a ideia de totalidade.

Indo ao encontro da concepção peirceana de que interpretar é traduzir um pensamento em outro pensamento num movimento espiral. Pois só se pensa um pensamento através de outro pensamento, vejo que o conceito criado em 1979 por Mandelbrot pode muito significar tais operadores.

Mandelbrot criou o conjunto produzido por processos interativos onde as partes se relacionam com o todo de forma hologramática como podemos observar no seguinte vídeo:

 


Assim vejo que esse é um importante autor para que se possa repensar a Educação em nossos dias.

Referências
MORIN,  Edgar.  O  Método  I: a  natureza  da  natureza.  2ª  ed.  Tradução:  M.  G.  de  Bragança. Portugal, Europa – América, 1977.