Interação vicária / aluno-[aluno(s)-aluno(s)]

Segundo Michael Moore em seu artigo publicado no American Journal of Distance Education em 1989, “Three types of interaction”. Podemos identificar os seguintes tipos de interação: aluno-aluno, aluno-professor, aluno-conteúdo, professor-professor, professor-conteúdo e conteúdo-conteúdo.

Inerente a esses seis tipos de interação, da qual Moore relaciona, existe uma que ele considera como variação dessas, denominada por interação vicária.

A interação vicária é aquela em que o aluno, apesar de não se fazer presente, formalmente no processo das discussões de atividades em grupo (tal como um bom mineiro - ai sô!), aprende observando, ou seja, interagindo silenciosamente, com a discussão/interação de outrem.

O que certamente implica numa necessidade de se repensar o silêncio virtual na EaD. Será que o aluno, mesmo não ativamente em participação das atividades em grupo, não poderia estar aprendendo? Quem sabe, mais até que um que interage de forma ativa.

Então, podemos entender que essa interação, pode se processar como as seguintes relações, tendo apenas o aluno como ponto de partida: aluno-[aluno(s)-aluno(s)], aluno-[professor(es)- aluno(s)], aluno-[aluno(s)-conteúdo(s)] aluno-[professor(es)-professor(es)], aluno-[professor(es)-conteúdo(s)] e aluno[conteúdo(s)-conteúdo(s)].

O aluno, ao observar a interação de outros, organiza suas concepções sobre o assunto em questão, o que certamente pode deflagrar um processo motivacional frente ao estudo do assunto abordado, ou ainda, para qualquer outra interação aqui descrita.

Pretendo, neste blog, refletir sobre cada uma dessas interações vicárias, em diversas postagens, iniciando aqui, com a:

  1. Aluno-[aluno(s)-aluno(s)]
O aluno observa outros alunos discutindo/interagindo, principalmente, ao concebermos que como Paulo Freire nos diz: "Ninguém educa ninguém, ninguém se educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo".".

Aqui concebe-se a aprendizagem colaborativa, que ocorre entre pessoas em um estágio aproximado de desbravamento de determinado conteúdo. Podendo assim denominarmo-os como semelhantes. Esses semelhantes se encontram próximos do ponto de vista simbólico-cognitivo, e têm possibilidades comunicacionais, quiçá mais eficientes entre si, do que entre pessoas em diferentes estágios. O que ocorre entre professores, que estão em um estágio mais avançado frente ao assunto; em relação aos alunos, que estão em um estágio mais aquém frente ao assunto estudado.

Aqui, se defronta com uma das grandes queixas do ensino que prima pelo aspecto unidirecional de tendências educacionais tradicionais - a aula puramente expositiva. Contudo, entende-se que esses, aqui chamados de semelhantes, em tese, têm estruturas histórico-culturais aproximadas. Estruturas essas de valor, de linguagem e de costumes com padrões culturais e sociais e que apesar de não, necessariamente, precisarem estar todas com a mesma proximidade, ainda sim, possibilitam a interação colaborativa entre esses alunos.