Redes artísticas

Falando um pouco sobre as redes e as artes, aqui vai um vídeo para inaugurar esse recurso aqui no blog. Assim estou postando esse vídeo e brincando um pouco com a idéia das vídeo criaturas de Otávio Donasci e criando uma alegoria que talvez possa ser chamada de vídeo rede criatura ;-)


Contudo, (para não perder o costume) aqui vai uma complementação dessa reflexão em formato de texto, onde destaco alguns pontos (para mim) importantes para a constituição das redes artísticas nos dias de hoje:

O conceito de rede e a complexidade atual

Podemos observar que o conceito de rede é um conceito se apresenta cada vez mais presente em nossa realidade. Essa espécie de paradigma, vem se mostrando como foco das principais mudanças dentro do que chamamos de sociedade ou era do conhecimento. Esse foco no pensar as coisas com o conceito de rede acontece coincidentemente e não por acaso, quando as TIC se mostram como elementos estruturantes da complexidade mundial.

Podemos entender, no entanto, que esse paradigma que é a rede vem se estruturando como algo que se apoia na transgressão do que, até então, entendemos e percebemos como tempo e espaço.

Trangredindo o espaço
Frente ao espaço, essa transgressão acontece no sentido de não mais reconhecermos o espaço de forma linear como na visão da geometria métrica euclideana, ou ainda da geometria projetiva que permite a concepção de espaço em três dimensões, onde se pode operar projetivamente como operações de cortar e projetar.

Essa transgressão, contudo, acontece no sentido de percebermos e lidarmos com o espaço de forma topológica, onde esse passa a ser definido pelas relações de vizinhança entre pontos de referência e não mais hierárquica ou linearmente como na idade média. Principalmente em decorrência da descoberta de Galileu ao descobrir que a Terra girava em torno do Sol e em decorrência disso que o lugar das coisas são apenas pontos em seus movimentos o que cria uma relação entre pontos onde a vizinhança, as ligações entre pontos, formam diagramas, grafos, tramas, redes.

Assim podemos entender que as redes como possibilidade de aproximar, ou mesmo sobrepor, apreciadores com obras de arte, artistas com outros fazeres artísticos antes vistas como distantes de forma pantópica, como Serres defende ao entender a possibilidade de todos os lugares em um só lugar e cada lugar em todos os lugares.

Não podemos negar que os movimentos e tendênicas artísticas, na história, se desenvolveram devido a interação entre artistas próximos geograficamente. Contudo, com essa trangressão de espaço nos deparamos com uma espacialidade organizada, acima de qualquer critério de ordem, de qualquer nível de periodicidade ou simetria; e, acima de tudo, complexa.


Transgredindo o Tempo
Frente ao tempo, a trangressão que a rede deflagra se mostra na possibilidade do moderno conviver com o antigo, que é como acontece ao visitarmos o, por exemplo, o site oficial do museu do Louvre. Ou como no exemplo dado por Serres ao entender o carro como um sistema com diferentes componentes articulados. Esses componentes, que concebidos em distintas épocas, como a roda do período neolítico, a mecânica originada no século XVIII, o motor e a termodinâmica do século, XIX e a eletrônica do século XX, todos se mostram articulados em um só momento.

Entendendo, assim, que as redes de mostram como algo que ressignifique que tempo e espacialmente interações entre pessoas e fazeres artísticos, podemos conceber, portanto, que as redes se mostram espaços de constituição de subjetividade. Se os fenômenos que se mostram como elementos imprescindíveis de constituição da subjetividade não acontecem nem fora das redes, nem dentro delas (inerentes às linguagens), mas, na verdade, através dos espaços de circulação e validação dessas redes, podemos entender que as redes tendem a transformar efetivamente as artes em seus aspectos de produção e significação. O que nos leva a entender que as redes e as tecnologias que as suportam são, muito além de comunicação e informação, tecnologias do conhecimento ou inteligência.

A rede autopoiética
Assim pode-se concluir que esse efeito sobre a produção e significação da arte se mostra contudo dinâmico e complexo, pois entende-se que essas redes se mostram sujeitos capazes de autopoiese, lembrando o conceito, baseado nas cocepções de Varela e Maturana, onde se entende a rede como algo que, por suas interações e transformações, é auto produtora e que se assemelha à descrição que Barthes faz do texto, ou seja, onde se entender (a rede) como algo que abunda muitas redes, onde cada uma dessas atuam sem que nenhuma se imponha às demais, como uma complexa galáxia mutante, com diversas vias de acesso, sem que nenhuma delas possa ser qualificada como principal.

Para aprofundar essa reflexão construí um mapa mental sobre uma visão das Redes baseado no texto de baseado no texto de André Parente:http://www.reciis.cict.fiocruz.br/index.php/reciis/article/view/35/67 e que pode ser acessado clicando aqui