Imersão em Ambientes de Ensino e Aprendizagem

Algo que me fez pensar ainda mais sobre o processo de ensino e aprendizagem, seja em ambientes virtuais, seja em ambientes reais, foi o filme AVATAR.

O conceito de imersão presente no filme é que me provocou nesse sentido. Assim, não estou só me referindo ao contexto de ambientes de realidade virtual do tipo Second Life (o que me parece cada vez mais fora do foco das tendências em meios tecnológicos emergentes), mas sim em ambientes eco-sistêmicos. Ambientes esses com seus recursos e possibilidades de interação que confluam para o estabelecimento e manutenção de um processo significativo de ensino e aprendizagem.

Assim, no filme, observa-se por uma aprendizagem complexa demonstrada pelo protagonista e que se mostrou mediada pelo ambiente, suas estruturas e os outros seres da tribo. Vê-se a imporância da mediação intencional e não ingênua e que se mostra, como na concepção de Reuven Feuerstein, compreendida diferentemente da aprendizagem pela simples exposição do sujeito ao objeto ou estímulo.

Observa-se a mediação acontece, contudo, com intencionalidade oriunda do mediador e que decorre com uma forte reciprocidade por parte do mediado para o abarcamento e atendimento das necessidades do mediado;

Outro ponto interessante é que a mediação transcende a realidade concreta, ou seja, “do aqui-e-agora” e das ações aprendidas na direção generalizadora para uma posterior aplicação da compreensão de um fenômeno apreendido em outras situações e contextos;

Há, certamente, uma construção e manutenção de signos que fomentam a compreenção do quanto se mostra importante a interpretação da aprendizagem alcançada.

Também observa-se a presença da aprendizagem em suas seguintes dimensões destacadas por Antoni Zabala e trabalhadas no livro A Prática Educativa:
  • Factual (onde o aprendente, literalmente apreende os fatos mais relevantes, como a toponímia geográfica, nomes de acontecimentos, pessoas, códigos, símbolos, classificações e que servirão de base para as outras dimensões)
  • Conceituais e de princípios (Conjunto de fatos, objetos ou símbolos que se relacionam, dentro do processo de ensino e aprendizagem, através de características comuns ou através de diferenças, mudanças dentro do âmbito de correlações de causa e efeito)
  • Procedimental (que abarca as regras, técnicas, os métodos, as destrezas ou habilidades, as estratégias, os procedimentos que nos direcionam a um objetivo e que gerralmente são potencializados através da repetição contextualizada)
  • Atitudinais (valores, atitudes e normas)
Entretanto, há de se entender que a aprendizagem vista no filme não se enquadra na práxis encontrada em ambientes educacionais formais, ou seja, temos um processo de ensino e aprendizagem não formal e informal. Já que não se tem o processo cronologica e hierárquicamente estruturado e que se organiza sob diretrizes educacionais centralizadas em currículos.

Dessa forma, pode-se entender que nessa apreciação emerge a necessidade de se refletir criticamente sob as características que os modelos de educação não formal e informal (em redes sociais e similares) tem a oferecer à educação em contextos formais (como em ambientes reais ou virtuais de ensino e aprendizagem)