A História da Multimídia (parte 1)

Para se entender o que é multimídia, vejo a importância que a visão histórica das artes pode nos oferecer frente à construção cognitiva desse recurso tão importante na EaD. Por isso vou fazer alguns posts que visão o aprofundamento sobre a história das chamadas novas mídias e que estão intimamente ligadas às chamadas multimídias.

Para pessoas que, como eu, se interessam nas possibilidades de entender e aplicar tais mídias na educação de uma forma contextualizada, principalmente utilizando substancialmente suas potencialidades em processos de ensino e aprendizagem, estudar o percurso histórico feito por essas “novas” mídias se mostra como um bom começo para o pensar e repensar sobre como produzir, analisar e aplicar tais materiais. Acho que pessoas interessadas em mídias digitais e na arte-tecnologia poderão aproveitar esses posts também, ou pelo menos ter um ponto de partida para a crítica.

Bom, para iniciar vamos abordar o foco na temporalidade e que muitos artistas começaram a se debruçar no intento de trazer tal parâmetro (que se mostra originalmente constituinte das obras musicais, da dança e outras performances artísticas) para outras formas de expressão artística que se focalizavam na representação espacial fundamentalmente.

A busca da visualização ou representação do tempo por artistas foi potencializada com a revolução feita pela fotografia e sua evolução tecnológica. Podemos observar isso nas fotografias feitas por Muybridge em 1878 no sentido de representar a velocidade de um cavalo e seu cavaleiro. Essas fotos foram produzidas com o intuito de estudar o movimento animal e que estão incluídos nos onze volumes que visavam por estudos científicos de locomoção animal (Studies in Animal Locomotion de 1888), como vemos abaixo:



Contudo se colocarmos essas fotos em sequência de aparecimento, uma após a outra, no mesmo local pode-se observar o movimento em forma de animação em seu princípio:

Esses estudos foram logo utilizados por artistas para o entendimento por sobre a movimentação humana e animal. Inspiraram obras como:

Funeral Of the Anarchist Galli (1911) de Carlo Carrà:

Dinamism of a Dog on a Leash, 1912 de Giacomo Balla:


Dynamism of a Cyclist - óleo sobre tela, 1913, por Umberto Boccioni


Contudo a obra mais polêmica foi a Nude Descending a Staircase, No. 2 (1912) de Marcel Duchamp, onde esse artista iniciou suas intenções em retratar a quarta dimensão – o tempo.


Observa-se que Duchamp inspirou-se, para fazer Nude Descending a Staircase No. 2, diretamente em Muybridge na sua Ascending and Descending Stairs (1884-5) :


Então, pode-se observar que Duchamp se mostra como um importante nome para o desenvolvimento de formas de expressão artística na direção da multimídia. Assim, pretendo abordar esse artista em outros posts, mas se você quiser ampliar sua visão da obra e vida desse revolucionário das artes, sugiro a visita ao endereço: http://www.understandingduchamp.com/

A complexidade no design educacional de objetos de aprendizagem

Uma tendência muito difundida de pensamento é que desenhar objetos educacionais com a concepção que a aprendizagem está condicionada, toda, ao material didático, como pode-se ver em muitos cursos calcados na concepção educacional por muitos denominada por e-learning. Essa concepção abarca os processos de ensino denominados por Computer Based Learning, normalmente em CD ou DVD ROM e, com o advento da Internet, a sua versão online denominada por Web Based Learning (WBT). Aqueles sistemas de cursos onde se concebe a aprendizagem no ato do aluno 'ler' telas organizadas linearmente com textos complementados com figuras, tabelas, gráficos, animações, pequenos jogos e similares.

A avaliação da aprendizagem neste sistema se dá, normalmente, através da inclusão de exercícios de fixação dos conteúdos em pontos estratégicos e que quantificam se o aluno está apto à avançar para um próximo módulo (ou unidade) ou retornar ao anterior para revisão do conteúdo apresentado.

Se se abordar um pensamento mais clássico onde a ordem, a periodicidade, a previsibilidade, a harmonia e a simetria como concepções gerais de como se constitui o conhecimento, isso realmente tende a ser coerente. Mas pode-se indagar aqui: será que somos seres tão exatos e linear assim? Será que aprendemos de forma tão exata e linear assim?

Bom, para essa reflexão vale a pena levar em conta a colocação de Denbigh (1975) ao ressaltar a diferença entre um cristal e uma célula viva quanto ao parâmetro de organização.

Não obstante a isso, se se entender que observamos/apreendemos o mundo através do confronto entre diferenças, como Vieira (2006) nos coloca: que ler as diferenças, utilizá-las como índices que exprimam o comportamento do mundo, se destinam a busca da adequação a essa leitura que seja eficiente ou pelo menos promissora para garantir a nossa permanência como sistemas vivos. Pode-se, assim, entender que vemos o mundo através de uma bolha, que Jacob von Wexkull denomina por Umwelt.

Então há de se pensar que o desenvolvimento de objetos e recursos de aprendizagem, por mais amplos que esses possam ser, didático-metodologicamente, não implica na possibilidade de negarmos o Umwelt particular de cada aprendente.

Assim, pode-se entender que não podemos acessar o real, mas sim apenas os signos, constituídos por nós mesmos, na interação de nosso Umwelt com a realidade. Então se entende que esse processo é algo que remeta ordem, periodicidade, previsibilidade, harmonia e simetria. Mas essa concepção não se sustenta, pois ao se trabalhar com signos, tendo em vista os conceitos calcados por Charles Sanders Peirce em sua semiótica moderna.

Como esse grande pensador, pode-se conceber que no trabalhar de nossa cognição ao utilizarmos signos para transcodificarmos a realidade através de nosso Umwelt, precisamos, contudo, de signos cada vez mais complexos. Pois, partindo do pressuposto de que a realidade não se apresenta como algo simples, ou seja, completamente ordenado, previsível, harmonioso e simétrico, não se pode, contudo, se utilizar, para a representação dessa realidade, signos que não se mostrem, no mínimo, da mesma forma complexos.

E aí surge uma questão, que com todas essas colocações até aqui levantadas e que pode muito a oferecer para o Design Educacional de objetos de aprendizagem e sua aplicabilidade em projetos educacionais online ou presenciais:

Como contextualizar essa complexidade frente aos processos de Análise, Design, Desenvolvimento, Implementação e Avaliação de objetos de aprendizagem em comunidades virtuais de aprendizagem?

Obs.: um bom filme para a reflexão crítica sobre o conceito de Umwelt e a semiótica peirceana é o filme "At First Sight":




Bom, aqui está lançada uma provocação multifacetada e que pretendo discutir em outras postagens neste blog.

Referências

ENBIGH, K.G. 1975. A non-conserved function for organized systems. 83-92. In: L. Kubat & J. Zeman (Eds). Entropy and Information in Science and Philosophy. Praga: Elsevier Scient. Publ. Co.

VIEIRA, J. A. Complexidade e Conhecimento Científico. São Paulo: PUC, 2006

Conhecimento - Complexidade - Semiótica (parte 1)

Estudando um pouco do conceito de Conhecimento Científico sob a visão peirceana da semiótica iniciei um mapa conceitual que visa a organização prévia de conceitos básicos.

Assim, entendo que o conceito de Umwelt pode ser delineado de uma forma contextual frente à construção do conhecimento, tendo em vista a complexidade que se apresenta em nossa cognição. Esse delineamento se destina às possibilidades que a semiótica moderna que pode oferecer, para além a epistemologia e metodologia científica, mas para a prática do desenho (designer) de materiais educacionais, principalmente para a EaD online Cooperativa e seus Ambiente Virtuais de Aprendizagem.



DICA: Um bom texto sobre esse assunto é o COMPLEXIDADE E CONHECIMENTO CIENTÍFICO de Jorge Albuquerque Vieira.

Continua...

Mapa conceitual

Aqui coloco um mapa conceitual que se destina a significar a organização de uma narrativa pessoal, percurso, objetivos de vida e de pesquisa até então. Direciona-se, contudo, frente à pesquisa que almejo desenvolver no programa de mestrado Tecnologias da Inteligência e Design Digital (TIDD) da PUC-SP.

Essa é uma atividade proposta pelo professor Dr. Hermes Renato Hildebrand na disciplina Conceitos Fundamentais e Práticas no Design e Estéticas Tecnológicas. Realmente uma excelente opção para reflexão memorial frente à processos de aprendizagem que se baseiam na metacoginição. Além do mais a construção de Mapa Canceituais se mostra uma excelente ferramenta de autoria e aprendizagem e que se destina à representar de forma sistêmica a cognição por meio de ligações (organizações) de idéias e conceitos.

Vale observar a tendência do foco do trabalho e interesses na tendência a direita que o mapa se desenvolve.

O Software utilizado para a construção desse Mapa Conceitual como Processo Cognitivo foi o CMap. Vale a pena fazer download e construir o seu para estudos e reflexões!

Obs.: Para visualizar o mapa abaixo em tamanho grande basta clicar sobre ele.