Dois artigos atuais e que considero como essenciais para o estudo das implicações proporcionadas, em nossa realidade, pelos dispositivos tecnológicos comunicacionais móveis e a (re)significação operadas por esses do que se conhece por ciberespaço são:
1) "Comunicação móvel e os novos sentidos dos lugares: crítica da espacialização na cibercultura" de André Lemos.
Nesse artigo, Lemos trabalha a ideia básica de que as tecnologias informacionais móveis têm permitindo novas formas de comunicação e sociabilidade com base naquilo que chamo de “territórios informacionais”. O que está em jogo aqui é uma nova relação entre as tecnologias informacionais e as dimensões do local, do território, da comunidade e da mobilidade. Vamos mostrar como as novas tecnologias móveis, sob o rótulo de “mídias locativas”, criam novas formas de territorialização (controle, vigilância, monitoramento) e, contra as tese de “não-lugar” ou de um “não sentido dos lugares”, o que estamos vendo são novas significações no espaço público urbano. Além disso, discutiremos as ideias de anomia e de isolamento com o surgimento de formas de sociabilidade e de vínculo comunitário criadas pelos serviços baseados em localização (LBS).
Para fazer download do artigo e assistir a conferência proferida pelo André no II simpósio da ABCIBER - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM CIBERCULTURA clique aqui.
2) "A pluralidade de práticas das mídias locativas" de Lúcia Santaella.
Já neste texto pode-se observar que foi a partir do final dos anos 1980, que o termo "hibridismo" tornou-se palavra-chave para caracterizar as sociedades contemporâneas, especialmente, as latino-americanas. Depois da explosão das redes planetárias de comunicação e da WWW (World Wide Web), o uso das palavras "hibridismo", "híbrido" e "hibridização" ou "hibridação" expandiu-se consideravelmente para se referir tanto à convergência das mídias no mundo digital quanto à mistura de linguagens na hipermídia, ou seja, a junção do hipertexto com a multimídia que define a linguagem que é própria das redes. Recentemente, o uso do vocábulo "hibridismo" expandiu-se ainda mais para se referir à interconexão dos espaços físicos de circulação com os espaços virtuais de informação a que os usuários de dispositivos móveis se conectam. Nestes espaços vêm se desenvolvendo práticas de mídias locativas. Este artigo objetiva evidenciar essas práticas como exemplares de uma ecologia pluralista da cultura característica do estado atual da cibermídia.
Para fazer download do artigo e assistir a conferência proferida pela grande pensadora da cibercultura da semiótica Lúcia Santaella no II simpósio da ABCIBER - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM CIBERCULTURA clique aqui.
Mostrando postagens com marcador Semiótica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Semiótica. Mostrar todas as postagens
Com o 4G chegando, a ubiquidade das TIC vai ser potencializada. E a Educação, como vai ficar?
Faz três anos que estamos vivendo o discurso do 3G, pelo menos por parte das operadoras. Mas esse discurso é bem diferente do que acontece na realidade, pois a velocidade que temos em nossos dispositivos móveis ou modens 3G não fazem jus às propagandas das operadoras.
Contudo o 4G vem aí e com duas tecnologias prometidas, uma chamada LTE (Long Term Evolution) e outra, chamada WiMax.Tanto a LTE quanto a WiMax são parecidas, pois se baseiam na concepção de tráfego de dados por meio de endereços IP.
De acordo com os órgãos reguladores, a tecnologia 4G oferece conexão estável e de no mínimo cem vezes a velocidade prometida no 3G. Assim, se as promessas por sobre o 4G se realizarem, poderemos estar conectados o tempo todo, em altíssima velocidade e em qualquer lugar, o que confirmaria a ubiquidade dos recursos tecnológicos comunicacionais. Características como as das mídias locativas e de vigilância, dentre outras, potencializariam a ideia de que o que entendemos por Ciberespaço estaria cada vez mais propenso a extrapolar as telas fixas dos Desktops na direção de nossa realidade, principalmente através dos dispositivos móveis (principalmente com os smartphones e tablets)
Outro ponto que seria potencializado, e que muito interessa aos interessados em educação e tecnologias, é a extrasomatização de nosso pensar, pois estaríamos cada vez mais dependentes dos dispositivos móveis para nos expressar, nos localizar, aprender frente à nossa realidade. O que me faz lembrar os conceitos de pós humano e ciborg. Assim vejo a necessidade de se pensar os processos de ensino e aprendizagem dentro desse contexto. A teoria da complexidade principalmente pela visão de Edgar Morin, os sistemas dinâmicos articulados pela semiótica peirceana podem muito nos ajudar nessa empreitada.
Bom, vejo que precisamos - nós educadores - nos colocar em estado de atenção, pois quando essa realidade emergente chegar, devemos assim aproveitar o máximo possível para não ficarmos atrasados. Dessa forma me expresso, pois, como de praxe, a educação tende a ser uma das últimas áreas a se alinhavar com a realidade que circundam as pessoas, ou nem se alinhavar (basta ver que a maioria das escolas ainda estão sob o paradigma racionalista-descarteano onde o professor transfere seus conhecimentos aos alunos.
Para saber mais sobre o 4G, abaixo temos um vídeo interessante e que pode nos fazer pensar de algumas possibilidades para educação. Clique aqui para visualizar o vídeo. Uma dica: preste atenção nas imagens e cenas colocadas entre e sobre os depoimentos!
A importância da linguagem compartilhada
Lendo o capítulo "Criação do Conhecimento Interorganizacional: Conhecimentos e Redes" do livro "Gestão do Conhecimento" de Takeuchi e Nonaka", mais especificamente o item que aborda a trama tecida por sobre o vale do silício, achei interessante destacar o papel que a linguagem compartilhada desempenha frente à aprendizagem interorganizações.
Se vê assim, um ambiente constituído por uma constante e autopoiética rede, que através, entre outras coisas, de uma linguagem compartilhada. linguagem essa que proporciona interações por condições sistêmicas e auto-reguladoras. Pode-se assim entender ao se observar a colocação de um executivo citado por Nonaka e Takeuchi:
Existe uma atmosfera exclusiva aqui que se revitaliza, continuamente, graças ao fato de que o entendimento coletivo de hoje é informado pelas frustrações de ontem e modificações pelas recombinações de amanhã... O aprendizado ocorre através dessas recombinações. Nenhuma outra área geográfica cria a recombinação tão eficazmente com tão poucas pertubações, Todo o tecido industrial é fortalecido por esse processo.
Dessa forma, podemos trazer da semiótica peirceana a imortância do interpretante imediato, ou seja, algo em que o signo está apto a produzir nas mentes interpretadoras em processos de interação (inter-ação) e cooperação (co-operação) entre pessoas e organizações em redes.
Vejo que a Semiótica de Peirce combinada com as teorias cognitivas, como a dos sistemas dinâmicos, podem contribuir para que possamos nos direcionar a um visualizar de como tais redes se articulam, principalmente pela perspectiva descritiva, analítica e interpretativa das linguagens e suas conexões.
Assim, podemos entender que uma interessante forma de interpretação, orinda dos sistemas dinâmicos, é a que se refere pela tendência da clusterização em sociedade, (como mostrado na figura ao lado) como algo que se mostra natural ao ser humano. Algo que se desenvolveu ao longo da jornada evolutiva e que se manifesta no desejo de construir grupos ou círculos onde a familiaridade tende a proporcionar dentre outras coisas a segurança, subsistência, criatividade, ou seja, a INOVAÇÃO.Bom, vejo que esse assunto merece muitos outros posts e assim vou tentar fazer...
Gestão do conhecimento em uma Big Band ?!?
Algo que pode contribuir para comunidades de ensino e aprendizagem, sejam virtuais ou físicos são os conceitos de gestão do conhecimento, tão utilizados em meios corporativos. Assim vejo que uma big band em ação é algo que tende a nos mostrar muitos pontos a serem aproveitados!
Dessa forma vejo tal aproveitamento segundo a semiótica peirceana, já que essa destaca que compreender, interpretar é traduzir um pensamento em outro pensamento num movimento espiral. Pois só se pensa um pensamento através de outro pensamento. Assim, compartilho aqui o entendimento de sígnos musicais e conceituais "da gestão do conhecimento" numa relação bilateral. Pois lembro das palavras de Santaella (1983) ao destacar que se de um lado o sígno, "representa o que está fora dele, seu objeto, e de outro lado, dirige-se para alguém em cuja mente se processará sua remessa para um outro signo ou pensamento onde seu sentido se traduz. E esse sentido, para ser interpretado tem de ser traduzido em outro signo, e assim ad infinitum.
Então, confira a big band de Benny Goodman tocando Sing, sing, sing e depois convido você a ler este post, para maiores reflexões.
Dessa forma vejo tal aproveitamento segundo a semiótica peirceana, já que essa destaca que compreender, interpretar é traduzir um pensamento em outro pensamento num movimento espiral. Pois só se pensa um pensamento através de outro pensamento. Assim, compartilho aqui o entendimento de sígnos musicais e conceituais "da gestão do conhecimento" numa relação bilateral. Pois lembro das palavras de Santaella (1983) ao destacar que se de um lado o sígno, "representa o que está fora dele, seu objeto, e de outro lado, dirige-se para alguém em cuja mente se processará sua remessa para um outro signo ou pensamento onde seu sentido se traduz. E esse sentido, para ser interpretado tem de ser traduzido em outro signo, e assim ad infinitum.
Então, confira a big band de Benny Goodman tocando Sing, sing, sing e depois convido você a ler este post, para maiores reflexões.
Bom, depois dessa aula tácita de articulação em rede, podemos perceber alguns pontos interessantes.
Todos os músicos estão conectados sinergicamente com o plano geral (objetivos) da big band, mesmo que sem tocar em muitos momentos, todos estão com o tema principal ou chorus acontecendo em tempo real e simultâneamente em suas cabeças (proporcionado pelo ouvido interno de cada um).
Aplicando a análise de rede organizacional (ou social) a chamada ARO, pode-se destacar nesse vídeo, os três importantes tipos de funcionários frente ao seus conhecimentos contextualizados em uma organização ou rede social, são eles os conectores: centrais, os intermediários e os periféricos.
Os conectores centrais são pessoas que têm muito expertise em uma ou mais áreas da empresa. No caso da big band, são os solistas que trabalham melódicamente dentro do chorus da música. Cada solista, a seu tempo, é apoiado por outros músicos que se mostram tais como os conectores intermediários.
Conectores intermediários, por sua vez, são pessoas que desenvolvem ligações com os diferentes subgrupos da big band ou em uma rede. Com uma grande capacidade de ajudar a organização a capitalizar oportunidades que requeiram a integração de conhecimentos aos conectores centrais. São os nipes de metais que apoiam os solistas em momentos oportunos e os conectam com a cozinha da big band (lembrando que nesse caso, a cozinha é formada pela bateria, o baixo, aguitarra e o piano)
Os Conectores periféricos, contudo, podem ser entendidos no contexto da big band como os músicos que compõem a cozinha. Fazem a condução do chorus e assim apoiam a sinergia proporcionada pelo plano geral (o chorus da música). Estão na fronteira, em geral têm seu conhecimento ignorado, pois tendem a não ser ouvidos tão nitidamente, mas quando são retirados é que percebemos sua falta.
Bom, para maiores reflexões sugiro a leitura do artigo "Perder Pessoas Sem Perder Conhecimento" de Davenport, Parise e Cross e o livro abaixo (incorporado aqui a partir do google livros):
Referência: Santaella, L. O que é Semiótica. São Paulo: Brasiliense, 1983.
Referência: Santaella, L. O que é Semiótica. São Paulo: Brasiliense, 1983.
Mídias locativas na educação
Atualmente, em minha pesquisa, estou em busca das potencialidades de alguns recursos comunicacionais, com natureza cooperativa, e que se prestem como ferramentas de extensão de sala de aula no sentido da ubiquidade e pervasividade do processo de ensino e aprendizagem.
Lembrando que a sala de aula aqui é entendida tanto em seu formato tradicional (físico) quanto os ambientes virtuais de aprendizagem (AVAs).
Assim, observa-se que mídias locativas e suas quatro funções podem ser utilizadas para tal tipo de aprendizagem cooperativa, em comunidades formais e informais de aprendizagem, principalmente, tendo em vista que tais mídias tendem ao estabelecimento de interação móvel.
Os aparatos tecnológicos que atualmente estão se mostrando aptos a suportarem tais atribuições de construção cooperativas ubíquas e pervasivas, em minha visão, são: telefones celulares, GPS, lap e palmtops em redes Wi-Fi, bluetooth, 3G e 4G.
Dessa forma tenho observado que a realidade aumentada móvel, o mapeamento e monitoramento de mobilidade, os geotags (tal como mostrados no google maps) e a indexação de mensagens SMS, MMS, vídeo, foto dentre outras, se mostram como funções interessantes para a aprendizagem cooperativa ubíqua e pervasiva.
Para provocar reflexões por sobre a aplicação de tais recursos na educação, abaixo temos dois exemplos de tais atribuições:
Para pensar ainda mais sobre esse assunto, um interessante artigo é o "Na trilha do educando" e as recentes ações de operadoras p/ dar acesso ilimitado às redes sociais.
Lembrando que a sala de aula aqui é entendida tanto em seu formato tradicional (físico) quanto os ambientes virtuais de aprendizagem (AVAs).
Assim, observa-se que mídias locativas e suas quatro funções podem ser utilizadas para tal tipo de aprendizagem cooperativa, em comunidades formais e informais de aprendizagem, principalmente, tendo em vista que tais mídias tendem ao estabelecimento de interação móvel.
Os aparatos tecnológicos que atualmente estão se mostrando aptos a suportarem tais atribuições de construção cooperativas ubíquas e pervasivas, em minha visão, são: telefones celulares, GPS, lap e palmtops em redes Wi-Fi, bluetooth, 3G e 4G.
Dessa forma tenho observado que a realidade aumentada móvel, o mapeamento e monitoramento de mobilidade, os geotags (tal como mostrados no google maps) e a indexação de mensagens SMS, MMS, vídeo, foto dentre outras, se mostram como funções interessantes para a aprendizagem cooperativa ubíqua e pervasiva.
Para provocar reflexões por sobre a aplicação de tais recursos na educação, abaixo temos dois exemplos de tais atribuições:
Para pensar ainda mais sobre esse assunto, um interessante artigo é o "Na trilha do educando" e as recentes ações de operadoras p/ dar acesso ilimitado às redes sociais.
Interatividade X Interação
Testando uma nova ferramenta de apresentação que privilegia a estética mais próxima de uma visão topológica e inspirado pelas excelentes apresentações da maioria de meus alunos da disciplina Tecnologia e Educação dos cursos de pós-graduação do grupo UNIS resolvi fazer uma apresentação que aborda a dicotomia entre os termos interação e interatividade aplicados na educação.
Nada mais pertinente que focar um assunto que causa confusão e que tem muitas divergências. Assunto esse que se refere à diferenciação entre Interatividade e Interação de forma contextualizada na utilização das tecnologias educacionais.
Então fique à vontade para explorar essa ferramenta interativa e se quiser poste suas mensagens aqui para que possamos praticar a interação!
Clique na seta para a direita, na base da tela de apresentação, para visualizar e analisar criticamente minhas colocações:
Nada mais pertinente que focar um assunto que causa confusão e que tem muitas divergências. Assunto esse que se refere à diferenciação entre Interatividade e Interação de forma contextualizada na utilização das tecnologias educacionais.
Então fique à vontade para explorar essa ferramenta interativa e se quiser poste suas mensagens aqui para que possamos praticar a interação!
Clique na seta para a direita, na base da tela de apresentação, para visualizar e analisar criticamente minhas colocações:
Desterritorialização - Umwelt - Rede - Educação
Estive pensando, baseado em um texto sugerido pelo professor Hermes Renato Hildebrant, na disciplina Conceitos Fundamentais e Práticas no Design e Estéticas Tecnológicas do TIDD. Esse texto é o "Rede e subjetividade na filosofia francesa contemporânea" de André Parente.
Esse autor refere-se à tendência que temos ao sedentarismo culminando com as evoluções tecnológicas de transporte e principalmente pelas tecnologias de informação e comunicação. Onde a "ideia de que o horizonte de nossos trajetos é o ciberespaço, o último veículo, ligado em rede e podendo ver e agir a distância, ponto de concentração de todo o espaço anulado pela ubiquidade absoluta, é, no mínimo, uma utopia tecnológica e um contra-senso histórico-cultural".
E me deparando pela pergunta calcado por Parente ao buscar a localização dos fenômenos, me coloco a pensar novamente no conceito de Umwelt e o processo sempre falho de tentarmos violá-lo para vislumbrar os objetos real e ontologicamente, mais objetiva que subjetivamente.
Parece, contudo, que essa tentativa é realmente frustrada, mas extremamente rica frente à eficácia necessária à nossa sobrevivência neste mundo.
Assim, essa tentativa cada vez se mostra mais e mais presente em nossas vidas e que não depende do deslocamento espacial, da presencialidade, mas sim do deslocamento virtual e rizomático. Deslocamento esse que se processa em forma de rede, não linear da hierarquia unidirecional da sociedade e consequentemente da organização de elementos presentes a nossa realidade, como a arquitetura e organização espacial das nossas cidades e as formas representacionais (mapas) utilizados para nos localizar.
Um bom exemplo é o mapa da rede de metrô, rodo e ferroviária de transporte público da grande São Paulo, ao transgredir, como já fizera o metrô de Londres anteriormente. Realmente esse mapa fica longe da representação clássica dos mapas fotográficos. O que podemos chamar, parafraseando Santaella ao se referir às formas representacionais pós-fotográficas. Nessas formas podemos averiguar o efeito de dissociação, cada vez mais forte, que a informação faz da comunicação e seus meios.

Realmente a informação, ao ser digitalizada, ou seja, transcodificada em linguagem matemática, se mostra mais suscetível ao processamento de signos em fenômenos ao entrarem em contato com nosso Umwelt.
Então pode-se entender que atividades humanas feitas (virtualmente) na rede, como nas transações financeiras, processos de produção, articulações administrativas, consultas e procedimentos médicos, dentre tantas outras não são potencialmente viáveis, mas que já estão a muito tempo sendo praticados. Então, pergunto: será que precisamos aguardar que a prática humana mais cristalizada por paradigmas se mova realmente para essa teia?
Ah, me esqueci de dizer qual é essa prática humana cristalizada, no sentido organizacional que mostra sua tendência estacional, onde a mudança encontra grandes resistências internas e externas, mas acho que está fácil de entender que é a "educação formal".
Contudo vemos grandes exemplos de trangressões dessa cristalização como por exemplo em cursos onde a educação é, presencial e a distância, praticada de forma cooperativa entre aprendentes e ensinantes em AVA's.
Esse autor refere-se à tendência que temos ao sedentarismo culminando com as evoluções tecnológicas de transporte e principalmente pelas tecnologias de informação e comunicação. Onde a "ideia de que o horizonte de nossos trajetos é o ciberespaço, o último veículo, ligado em rede e podendo ver e agir a distância, ponto de concentração de todo o espaço anulado pela ubiquidade absoluta, é, no mínimo, uma utopia tecnológica e um contra-senso histórico-cultural".
E me deparando pela pergunta calcado por Parente ao buscar a localização dos fenômenos, me coloco a pensar novamente no conceito de Umwelt e o processo sempre falho de tentarmos violá-lo para vislumbrar os objetos real e ontologicamente, mais objetiva que subjetivamente.
Parece, contudo, que essa tentativa é realmente frustrada, mas extremamente rica frente à eficácia necessária à nossa sobrevivência neste mundo.
Assim, essa tentativa cada vez se mostra mais e mais presente em nossas vidas e que não depende do deslocamento espacial, da presencialidade, mas sim do deslocamento virtual e rizomático. Deslocamento esse que se processa em forma de rede, não linear da hierarquia unidirecional da sociedade e consequentemente da organização de elementos presentes a nossa realidade, como a arquitetura e organização espacial das nossas cidades e as formas representacionais (mapas) utilizados para nos localizar.
Um bom exemplo é o mapa da rede de metrô, rodo e ferroviária de transporte público da grande São Paulo, ao transgredir, como já fizera o metrô de Londres anteriormente. Realmente esse mapa fica longe da representação clássica dos mapas fotográficos. O que podemos chamar, parafraseando Santaella ao se referir às formas representacionais pós-fotográficas. Nessas formas podemos averiguar o efeito de dissociação, cada vez mais forte, que a informação faz da comunicação e seus meios.

Realmente a informação, ao ser digitalizada, ou seja, transcodificada em linguagem matemática, se mostra mais suscetível ao processamento de signos em fenômenos ao entrarem em contato com nosso Umwelt.
Então pode-se entender que atividades humanas feitas (virtualmente) na rede, como nas transações financeiras, processos de produção, articulações administrativas, consultas e procedimentos médicos, dentre tantas outras não são potencialmente viáveis, mas que já estão a muito tempo sendo praticados. Então, pergunto: será que precisamos aguardar que a prática humana mais cristalizada por paradigmas se mova realmente para essa teia?
Ah, me esqueci de dizer qual é essa prática humana cristalizada, no sentido organizacional que mostra sua tendência estacional, onde a mudança encontra grandes resistências internas e externas, mas acho que está fácil de entender que é a "educação formal".
Contudo vemos grandes exemplos de trangressões dessa cristalização como por exemplo em cursos onde a educação é, presencial e a distância, praticada de forma cooperativa entre aprendentes e ensinantes em AVA's.
A complexidade no design educacional de objetos de aprendizagem
Uma tendência muito difundida de pensamento é que desenhar objetos educacionais com a concepção que a aprendizagem está condicionada, toda, ao material didático, como pode-se ver em muitos cursos calcados na concepção educacional por muitos denominada por e-learning. Essa concepção abarca os processos de ensino denominados por Computer Based Learning, normalmente em CD ou DVD ROM e, com o advento da Internet, a sua versão online denominada por Web Based Learning (WBT). Aqueles sistemas de cursos onde se concebe a aprendizagem no ato do aluno 'ler' telas organizadas linearmente com textos complementados com figuras, tabelas, gráficos, animações, pequenos jogos e similares.
A avaliação da aprendizagem neste sistema se dá, normalmente, através da inclusão de exercícios de fixação dos conteúdos em pontos estratégicos e que quantificam se o aluno está apto à avançar para um próximo módulo (ou unidade) ou retornar ao anterior para revisão do conteúdo apresentado.
Se se abordar um pensamento mais clássico onde a ordem, a periodicidade, a previsibilidade, a harmonia e a simetria como concepções gerais de como se constitui o conhecimento, isso realmente tende a ser coerente. Mas pode-se indagar aqui: será que somos seres tão exatos e linear assim? Será que aprendemos de forma tão exata e linear assim?
Bom, para essa reflexão vale a pena levar em conta a colocação de Denbigh (1975) ao ressaltar a diferença entre um cristal e uma célula viva quanto ao parâmetro de organização.
Não obstante a isso, se se entender que observamos/apreendemos o mundo através do confronto entre diferenças, como Vieira (2006) nos coloca: que ler as diferença
s, utilizá-las como índices que exprimam o comportamento do mundo, se destinam a busca da adequação a essa leitura que seja eficiente ou pelo menos promissora para garantir a nossa permanência como sistemas vivos. Pode-se, assim, entender que vemos o mundo através de uma bolha, que Jacob von Wexkull denomina por Umwelt.
s, utilizá-las como índices que exprimam o comportamento do mundo, se destinam a busca da adequação a essa leitura que seja eficiente ou pelo menos promissora para garantir a nossa permanência como sistemas vivos. Pode-se, assim, entender que vemos o mundo através de uma bolha, que Jacob von Wexkull denomina por Umwelt.Então há de se pensar que o desenvolvimento de objetos e recursos de aprendizagem, por mais amplos que esses possam ser, didático-metodologicamente, não implica na possibilidade de negarmos o Umwelt particular de cada aprendente.
Assim, pode-se entender que não podemos acessar o real, mas sim apenas os signos, constituídos por nós mesmos, na interação de nosso Umwelt com a realidade. Então se entende que esse processo é algo que remeta ordem, periodicidade, previsibilidade, harmonia e simetria. Mas essa concepção não se sustenta, pois ao se trabalhar com signos, tendo em vista os conceitos calcados por Charles Sanders Peirce em sua semiótica moderna.
Como esse grande pensador, pode-se conceber que no trabalhar de nossa cognição ao utilizarmos signos para transcodificarmos a realidade através de nosso Umwelt, precisamos, contudo, de signos cada vez mais complexos. Pois, partindo do pressuposto de que a realidade não se apresenta como algo simples, ou seja, completamente ordenado, previsível, harmonioso e simétrico, não se pode, contudo, se utilizar, para a representação dessa realidade, signos que não se mostrem, no mínimo, da mesma forma complexos.
E aí surge uma questão, que com todas essas colocações até aqui levantadas e que pode muito a oferecer para o Design Educacional de objetos de aprendizagem e sua aplicabilidade em projetos educacionais online ou presenciais:
Como contextualizar essa complexidade frente aos processos de Análise, Design, Desenvolvimento, Implementação e Avaliação de objetos de aprendizagem em comunidades virtuais de aprendizagem?
Obs.: um bom filme para a reflexão crítica sobre o conceito de Umwelt e a semiótica peirceana é o filme "At First Sight":
Bom, aqui está lançada uma provocação multifacetada e que pretendo discutir em outras postagens neste blog.
Referências
ENBIGH, K.G. 1975. A non-conserved function for organized systems. 83-92. In: L. Kubat & J. Zeman (Eds). Entropy and Information in Science and Philosophy. Praga: Elsevier Scient. Publ. Co.
VIEIRA, J. A. Complexidade e Conhecimento Científico. São Paulo: PUC, 2006
Conhecimento - Complexidade - Semiótica (parte 1)
Estudando um pouco do conceito de Conhecimento Científico sob a visão peirceana da semiótica iniciei um mapa conceitual que visa a organização prévia de conceitos básicos.
Assim, entendo que o conceito de Umwelt pode ser delineado de uma forma contextual frente à construção do conhecimento, tendo em vista a complexidade que se apresenta em nossa cognição. Esse delineamento se destina às possibilidades que a semiótica moderna que pode oferecer, para além a epistemologia e metodologia científica, mas para a prática do desenho (designer) de materiais educacionais, principalmente para a EaD online Cooperativa e seus Ambiente Virtuais de Aprendizagem.

DICA: Um bom texto sobre esse assunto é o COMPLEXIDADE E CONHECIMENTO CIENTÍFICO de Jorge Albuquerque Vieira.
Continua...
Assim, entendo que o conceito de Umwelt pode ser delineado de uma forma contextual frente à construção do conhecimento, tendo em vista a complexidade que se apresenta em nossa cognição. Esse delineamento se destina às possibilidades que a semiótica moderna que pode oferecer, para além a epistemologia e metodologia científica, mas para a prática do desenho (designer) de materiais educacionais, principalmente para a EaD online Cooperativa e seus Ambiente Virtuais de Aprendizagem.

DICA: Um bom texto sobre esse assunto é o COMPLEXIDADE E CONHECIMENTO CIENTÍFICO de Jorge Albuquerque Vieira.
Continua...
Assinar:
Postagens (Atom)

